A dupla Serra/Kassab usou hoje (8) a inauguração do Hospital Municipal de M'Boi Mirim como palanque eleitoral para promover a candidatura demo-tucana na capital paulista. Os discursos inflamados em tom eleitoreiro, tanto do governador e ex-prefeito José Serra (PSDB), quanto do seu sucessor na prefeitura, Gilberto Kassab (DEM), foram imediatamente repercutidos pelos sites de notícias, que, embevecidos pela disputa fratricida que se abateu entre os tucanos paulistanos, esqueceram de relatar sobre o que realmente interessa para as mais de 600 mil pessoas que vivem no bairro periférico onde está localizada a nova unidade hospitalar: a melhora substancial no atendimento à saúde que o hospital trará, só foi possível graças a ação da própria população residente na zona sul paulistana.
"Este foi um dos mais importantes eventos que tivemos na área social em nossa gestão", destacou Kassab, negando o clima de comício da inauguração. Para o prefeito, havia um clima de festa, "pois há quase 20 anos a cidade de São Paulo não tinha um novo hospital". "Temos que festejar, sim", emendou. Na mesma linha, o governador Serra declarou em seu discurso: "Hoje é um dia histórico. Quem está aqui vai sempre lembrar desta inauguração".O que ambos não lembraram, em momento algum que estiveram no palanque armado na porta do novo hospital, é que aquela obra foi uma das 25 determinadas pelo Orçamento Participativo, instrumento que norteou boa parte das ações administrativas no governo de Marta Suplicy. A dupla demo-tucana também não mencionou que foi Marta quem lançou o edital de licitação para a construção da nova unidade hospitalar e que o projeto do hospital descansou um bom tempo na gaveta da atual gestão.Segundo afirmou na época do lançamento do edital (2003), o então secretário de Saúde do município, Gonzalo Vecina Neto, o Hospital do M'Boi Mirim conferiria uma melhor distribuição geográfica aos leitos públicos hospitalares de São Paulo. "Por que fazer com que as 600 mil pessoas que moram no M'Boi Mirim tenham que enfrentar os 35 quilômetros, que separam o bairro do centro, em busca de atendimento? A atenção secundária (internamentos e cirurgias) deve estar presente nesses bairros também", resumiu.Assim como a unidade inaugurada hoje, Marta também iniciou a construção do Hospital da Cidade Tiradentes (zona leste), que também foi paralisada para, mais tarde, ser retomada pela atual gestão – o hospital foi entregue em julho do ano passado.O motivo das paralisações dessas obras fundamentais para a população carente da periferia da capital foi, segundo a administração Serra/Kassab, a adequação do modo de gerenciamento das unidades, que para os demo-tucanos teria que se dar, como está acontecendo, através de Organizações Sociais (OS), modelo que não encontrava respaldo na legislação municipal da época. Porém, o efeito principal das paralisações ficou claro agora na inauguração da última delas: levar a população a esquecer que foi ela própria, através do Orçamento Participativo, a verdadeira realizadora.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
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