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quinta-feira, 24 de abril de 2008

Panorama sobre o Trânsito em Sampa

Após recordes consecutivos de engarrafamento no início de março – 149 km no dia 3, 155km no dia 4 e 165km no dia 6 – o trânsito na capital paulista ganhou destaque na imprensa local e nacional. São Paulo atingiu, em fevereiro, a marca de 6 milhões de veículos – um para cada dois habitantes – e os grandes engarrafamentos, que antes só eram registrados devido a problemas pontuais como greves de ônibus e metrô, alagamentos e apagões, viraram rotina.
Era a confirmação de um vaticínio há muito anunciado sobre o colapso no trânsito, mas que a gestão Serra/Kassab preferiu ignorar ao longo dos últimos três anos, quando foram praticamente paralisadas as ações e obras que poderiam, se não evitado, ao menos minimizado o sofrimento dos paulistanos, que estão gastando, em média, duas horas por dia nos engarrafamentos. O prejuízo com os engarrafamentos, segundo cálculos do Instituo de Estudos Avançados da USP, é da ordem de R$3,3 bilhões anuais.
Para piorar a situação do trânsito em São Paulo, a CET suspendeu o contrato que mantinha com uma empresa de comunicação que fornecia radiocomunicadores para os "marronzinhos". Sem os aparelhos, os fiscais do trânsito ficaram obrigados a ligar a cobrar, através do próprio celular, para comunicar acidentes e outras ocorrências à central, o que provocou aumentou de 11 para quase 13 minutos o tempo médio de atendimento a veículos quebrados ou acidentados nas vias da capital.
"Ninguém pode se surpreender com o que está acontecendo hoje no trânsito de São Paulo", afirmou, em entrevista à Folha de S. Paulo, o professor Orlando Strambi, da Escola Politécnica da USP. Professor do prefeito Gilberto Kassab no curso de Engenharia Civil, Strambi disse que, hoje, reprovaria o ex-aluno, que não agiu de forma preventiva para evitar o caos no trânsito da capital. "Há uma sabedoria no mundo do planejamento de transportes que diz: agir sobre um problema de transporte que já está sendo visto é, por definição, ação tardia", explica.
Entre as ações "tardias" tomadas pelo prefeito, estão a retomada na implantação de semáforos inteligentes, a realização de 19 intervenções pontuais, sendo sete em corredores de ônibus - onde a velocidade média dos coletivos caiu, segundo cálculos da CET, de 20km/h, em 2004, para 12,2km/h no ano passado -, e o lançamento de editais de licitação, previstos em R$20 milhões, para elaboração de projetos de obras viárias.
Outra medida anunciada pelo prefeito Gilberto Kassab para melhorar o trânsito foi a proibição, a partir de abril, de estacionamento de veículos durante o horário de pico em algumas vias da cidade. Porém, 48 horas após o anúncio, o prefeito recuou e disse que a proibição de estacionamento só valerá para as primeiras horas da manhã – entre às 5h30 e às 7h30. Outras ações anunciadas pela prefeitura foram a contratação, ainda neste semestre, de mais 320 funcionários para atuarem na fiscalização do trânsito e a remoção de 167 lombadas e valetas.
Também foram divulgadas, através do site da CET, 175 rotas alternativas aos corredores já congestionados. Além de tratar-se de uma tentativa de 'maquiar' as estatísticas sobre os engarrafamentos - porque parte das vias apontadas como alternativas não integra a base de 820 quilômetros monitorados pela CET e, portanto, não será medida –, pelo menos oito dos caminhos apontados pela CET como alternativos são contra-mão.Um detalhe que chama a atenção é que, ao divulgar as "rotas alternativas", o secretário Municipal dos Transportes, Alexandre Moraes, afirmou que a escolha das vias foi o "fruto seis meses de estudos de inteligência viária". Quanta "inteligência"!

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