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quinta-feira, 24 de abril de 2008

O Zigue-Zague de Kassab

A falta de critérios nas ações da gestão Serra/Kassab na condução do trânsito da capital é outro fator que, além de demonstrar a maneira improvisada como age o governo Demo-Tucano, contribui para o agravamento do caos.
Um dos exemplos foram as medidas tomadas para regular o tráfego de motocicletas na cidade. No dia 22 de janeiro deste ano, a prefeitura determinou a criação de uma faixa exclusiva para motos na Avenida 23 de Maio e, um dia depois, após verificar que a lentidão no trânsito na via tinha aumentado de três para cinco quilômetros, a medida foi revogada. Pior ainda foi a proibição do trânsito de motos nas marginais Pinheiros e Tietê, descartada horas depois de anunciada pelo prefeito Kassab.
Outro fato que exemplifica o sistema de tentativa e erro adotado pela gestão Serra/Kassab na condução do trânsito, diz respeito às tarifas de ônibus na capital. Em abril de 2006, ao falar sobre o acordo feito com as empresas de transporte urbano para a renovação da frota de ônibus em São Paulo, Gilberto Kassab assegurou que "não haveria aumento da tarifa". Sete meses depois, o prefeito anunciava a majoração do preço da passagem de R$2,00 para R$2,30.
As idas e voltas nas decisões da gestão Serra/Kassab também foram notadas no aumento da idade da frota de ônibus em circulação na cidade. Em 2003, a prefeita Marta Suplicy proibiu o uso de coletivos com mais de uma década no sistema de transporte urbano. Apesar de prometer durante a campanha a renovação da frota, em 2006, o governo Demo-Tucano estendeu de 10 para 12 anos a idade máxima permitida aos ônibus que circulam na capital.
A criação do pedágio urbano é outra amostra do zigue-zague que marca as decisões dos Demo-Tucanos na gestão do transporte. No final de 2006, Kassab encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei propondo a transferência para o Estado da administração das marginais Pinheiros e Tietê, que cobraria pedágio para justificar as obras que aumentariam a pista de sete para 11 faixas em cada uma das margens. A proposta encontrou resistência até mesmo na base de apoio ao prefeito, que recuou da decisão, e o projeto foi arquivado em maio do ano passado.
Outro vai-e-vem nas decisões tomadas pela gestão Demo-Tucana diz respeito à ampliação do rodízio de veículos. No dia 7 de dezembro passado, Kassab declarou à Folha de S. Paulo que a idéia de ampliar o rodízio não estava sendo levada em consideração pelo Executivo. No início deste mês, quando o caos no trânsito piorou sensivelmente, o prefeito mudou de idéia. "Nossa prioridade é tentar evitar, mas se, em algum momento for necessário, vamos aumentar o rodízio", declarou Kassab à Folha de S. Paulo. No último dia 24de março, o próprio prefeito admitiu que já há um estudo em andamento, sob a condução do secretário de transportes, Alexandre Moraes, para ampliar o rodízio até às 11h, na parte da manhã, e até às 21h, no período da noite.
A proibição de caminhões circularem pelo Centro Expandido da capital é outra ação que evidencia a indecisão do prefeito. Passadas três semanas do anúncio da nova medida, ocorrido no dia 4 de abril, a prefeitura ainda não havia informado em quais horários a proibição valerá, nem quais os trechos que os caminhões ficarão proibidos de trafegar. A medida, segundo a prefeitura, entrará em vigor na segunda quinzena de maio, mas é bem provável que este venha a ser o mais novo recuo de Kassab no quesito trânsito.

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