O pacote de medidas anunciadas pelo prefeito, que inclui um estudo sobre a ampliação em mais duas horas no rodízio de veículos – uma hora a mais pela manhã e outra a mais à noite, foi classificado como "tímido" pela Folha de S. Paulo e "incompleto", pelo Estadão.
Segundo Aílton Brasiliense, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), a ampliação do rodízio não deve surtir efeito. Ele lembra que o rodízio foi implantado há 11 anos, quando a cidade tinha uma frota de veículos 20% menor que a atual e, mesmo assim, nunca cumpriu o objetivo de diminuir em pelo menos 20% o volume do tráfego nos horários de pico. "Agora, eu não sei qual é o ganho que a cidade terá pelo fato de se punir o motorista por uma hora a mais de manhã e uma hora a mais à noite. Pode ser que tenha, eu não conheço", afirmou.
O presidente da ANTP, como todos os especialistas no assunto, explica que só com planejamento bem definido e ações de longo prazo buscando a melhoria do transporte coletivo poderá solucionar a questão do trânsito em São Paulo. "Nós da ANTP defendemos uma porção de ações há 50 anos. Grande transferência de viagens do transporte individual para o coletivo com redes do metrô, recuperação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, corredores de ônibus muito bem operados, aumento de capacitação e gestão da CET e da SPTrans".
No quesito "aumento da capacidade de gestão da CET e da SPTrans", a prefeitura, na atual gestão, tem muito que fazer. O processo de integração dos dois órgãos municipais, iniciados no governo Marta Suplicy, foi interrompido logo no início da gestão Serra/Kassab.
Processos administrativos que davam maior eficiência ao trabalho de fiscalização do trânsito foram revistas para pior, como a desativação da linha exclusiva para comunicar ocorrências de trânsito (194), que foi integrada à central geral de atendimento da prefeitura (156).
Outra medida administrativa adotada pelo governo demo-tucano foi a suspensão dos contratos com as empresas terceirizadas de guinchos, responsáveis pela remoção de veículos quebrados ou batidos em vias públicas. Devido a essa medida, o número de rebocamentos na cidade caiu de 1,7 mil para apenas 50 por mês. Para piorar, a licitação preparada ás pressas no final do ano passado para a contratação de novos guinchos foi suspensa, no início de março, pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) que encontrou diversas irregularidades no edital.
Segundo a própria CET, a demora no reboque de veículos quebrados ou batidos nas vias públicas são uma das principais causas dos engarrafamentos na cidade. De acordo com órgão, para cada 15 minutos de pistas parcialmente bloqueadas, são formados, pelo menos, três quilômetros de engarrafamentos, que demoram outros 30 minutos para se dissiparem.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
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