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sexta-feira, 11 de abril de 2008

R de O pedágio urbano vem aí

Aos que ainda acreditam que a dupla Serra/Kassab descartou totalmente a possibilidade de implantar o sistema de pedágio urbano em São Paulo vale a pena lembrar o que a atual gestão vem fazendo neste sentido.
Em setembro de 2005, quando Serra estava na prefeitura, a CET deu início ao programa de testes do uso de chips em 500 veículos. A idéia era verificar a eficiência do sistema para implantá-lo em toda frota de mais de 6 milhões de carros existentes na capital. Os chips carregam os dados do veículo, como os números do Renavan e da placa, e podem ser rastreados através de uma rede de antenas instaladas nas vias públicas monitoradas da cidade. Os adesivos inteligentes (como são chamados os chips) funcionam da mesma maneira que o sistema "Sem Parar", utilizados nas rodovias pedagiadas paulistas. Além de auxiliar na fiscalização do rodízio, o chip permite saber quais os veículos em circulação estão com o IPVA em dia.
No dia 2 maio de 2006, poucos dias após tomar posse na prefeitura, Kassab admite, pela primeira vez, a possibilidade de cobrar pedágio para os veículos que trafegarem na Marginal Tietê. A idéia do prefeito era ampliar, em parceria com o Governo do Estado – sempre juntos, Serra e Kassab -, de sete para 11 o número de pistas em cada sentido da marginal e o pedágio serviria para bancar os custos da obra, estimada em R$1 bilhão. O prefeito ressaltou, entretanto, que só se decidiria a respeito da cobrança após analisar os estudos a respeito da medida.
O tempo passou e no dia 28 de fevereiro, o secretário estadual de Economia e Planejamento, Francisco Vidal Luna, em audiência na Câmara Municipal admite publicamente a defesa da cobrança do pedágio urbano na cidade. Defendendo a transferência da administração da Marginal Tietê para o Estado, o secretário, que é o principal responsável pelo planejamento econômico e administrativo de Serra, disse que a medida viabilizaria a ampliação da marginal em pelo menos quatro anos e que serviria para desafogar o trânsito na cidade enquanto o trecho norte do Rodoanel – ligando o sistema Bandeirante/Anhanguera ao aeroporto de Cumbica -, cujas obras tem previsão de 12 anos para conclusão, não são finalizadas.
No dia 1º de outubro do ano passado, o prefeito Gilberto Kassab e o governador José Serra trazem de retomam com toda força a idéia do pedágio urbano, ao assinarem um convênio para a instalação dos chips em toda a frota da capital. A idéia era concluir, até março deste ano, a licitação para a contratação da empresa responsável pela implantação do Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos. A idéia da dupla Serra/Kassab era concluir a licitação até março deste ano para que, até o início de 2009, todos os veículos estivessem monitorados. Os que fossem flagrados circulando sem o dispositivo, pagariam multa de R$127,00.
Em dezembro do ano passado, o Estadão denuncia a existência de um projeto de lei, preparado pela equipe do prefeito, que prevê a cobrança do pedágio Urbano. A medida seria apenas uma das muitas previstas na Política Municipal sobre Mudanças Climáticas, que o prefeito ainda não encaminhou à Câmara Municipal, temendo a repercussão negativa junto a população num ano de eleições municipais.
A mais recente ação da prefeitura demo-tucana no sentido de viabilizar o pedágio urbano, ocorreu no dia 12 de abril, quando o Diário Oficial da Cidade publicou o decreto do prefeito Kassab regulamentando o Fundo Municipal de Desenvolvimento do Trânsito, aprovado pela Câmara de Vereadores em julho de 2007. Ao assinar o decreto de regulamentação, Kassab afirmou que recursos do fundo iriam financiar a implantação dos chips inteligentes em toda frota de veículos da capital.
Se você ainda acredita que, continuando no comando do município, os demo-tucanos desistirão da idéia do pedágio urbano, que eles próprios vêm gestando desde que assumiram a prefeitura, é melhor se preparar para uma forte decepção. Assim como a dupla Serra/Kassab já voltou atrás da decisão de ampliar o rodízio - que foi anunciada e negada várias vezes, desde 2005, até ser retomada definitivamente, em março deste ano -, nada garante que o mesmo não ocorra com o pedágio urbano. A não ser a derrota deles nas eleições de outubro.

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