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terça-feira, 29 de abril de 2008

A mais nova verdade sobre o Metrô que desabou


Quanto vale a vida de um paulistano? E de sete paulistanos? Para a Companhia do Metropolitano (Metrô) vale bem menos que um atraso de seis meses na inauguração da Estação Pinheiros e do que uns trocados a mais na obra bilionária de construção da linha 4 (Amarela). Uma matéria exclusiva do Jornal da Tarde de hoje (por que será que a Folha nunca divulga essas coisas, hein?) conta que dois relatórios - um de maio e outro de dezembro de 2005- indicavam a necessidade das escavações da nova linha do metrô serem feitas numa profundidade maior. Como os relatórios não foram levados em consideração pelo Metrô nem pelo consórcio de cinco grandes empreiteiras que executam a obra (Odebretch, OAS, Andrade Gutierrez, Camargo Correia e Queiroz Galvão), o resultado foi o desabamento do trecho em construção, uma tragédia que ceifou a vida de sete pessoas no dia 12 de janeiro de 2007.

De acordo com os relatórios, a estação, que foi escavada a 30 metros de profundidade, deveria ficar entre 38 e 45 metros abaixo do nível do solo. O primeiro laudo foi elaborado pela Themag Engenharia, em maio de 2005, e dizia que as condições geológicas do local onde mais tarde haveria o desabamento, poderiam resultar em "colapsos da frente de escavação". Em dezembro de 2005, outro laudo, elaborado pela Nick Burton & Associetes, vai além, e afirma, categoricamente, que "problemas ocorrerão" devido à suspensão do nível da escavação. Esse relatório diz ainda que a Linha 4 do Metrô foi colocada em cota (profundidade) muito rasa e ressalta que tal ação "se apresenta como um fator de risco potencial para as ruas, conforme já se verificou na prática". Ou seja, não foi por falta de aviso que se deu a tragédia.

O engenheiro Roberto Kochen, que participou da elaboração do projeto da Linha 4, reconhece que este, em sua execução, teve mudanças de cotas em várias etapas. "Na última mudança, o túnel subiu, deixando tanto a linha como a estação mais rasas".

Não sou engenheira, mas se essa "mudança" não significa negligenciar a segurança em favor do barateamento do custo das obras, então que os responsáveis pelo Metrô - o Governo do Estado, comandado, na época, pelo senhor Geraldo Alckmin, entre eles – me expliquem o que é. Pois, as únicas coisas que estão evidentes até agora são: que sete pessoas morreram; que o trânsito da cidade, principalmente para quem mora ou trabalha em Pinheiros, ficou bem pior do que já é durante mais de seis meses; e que, até agora ninguém foi punido por nada disso.


Marcela Danielle Issumi

Um comentário:

Anônimo disse...

Acho que esse buraco jamais será tapado.
Isso mostra o descaso dos órgãos competentes frente a esse problema.