Grita São Paulo

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quarta-feira, 14 de maio de 2008

Por que o paulistano gosta tanto do trabalho


Todos os dias eu demoro, aproximadamente, duas horas e meia para ir da minha casa, em Cangaíba, na Zona Leste, até o meu trabalho, em Perdizes, na Zona Oeste. Acompanhe meu drama cotidiano, que, creio, deve ser semelhante ao de milhões de paulistanos:

Acordo diariamente às 6h e saio de casa às 6h30. Como em minha rua não tem transporte coletivo, ando pelo menos uns 15 minutos até o ponto, onde pego um ônibus lotado que demora uns 45 minutos (30 minutos só para percorrer uns 5 quilômetros da Avenida Celso Garcia, onde o corredor virtual é tão virtual que não funciona) até chegar a Estação Tatuapé do metrô.

No metrô, só consigo pegar o quarto ou o quinto trem (uma espera média de 15 minutos), devido ao mundo de gente que se amontoa na estação.

Uma vez no metrô, são mais 20 minutos de viagem até a Estação da Sé, onde encaro outro sufoco. É um empurra-empurra danado. Um tal de sai de cima do meu pé, perdão aqui, desculpe ali, chega essa bolsa pra lá minha senhora, que demora outros 15 a 20 minutos até que, finalmente, entro num vagão apertadíssimo que, em uns 10 minutinhos, me leva até o Paraíso. Paraíso, aliás, só no nome, porque o inferno continua. É uma confusão dos diabos, mas como meu horário já está apertado mesmo, faço como o Caetano no Carnaval da Bahia: pego o cotovelo e saio abrindo caminho. Em cinco minutos já estou num vagão da Linha Verde que me deixa na Estação Sumaré, de onde parto para outra caminhada de 15 minutos até, finalmente, chegar ao trabalho, lá pelas 9h.

Depois de uma extenuante jornada de oito horas, com uma hora de intervalo para o almoço, finalmente me sinto recuperado para fazer o mesmo percurso, só que no sentido contrário.

Depois, o resto do Brasil não sabe o porquê do paulistano gostar tanto do trabalho. É porque lá a gente descansa do sufoco que é se locomover nessa cidade.

Leonardo Carmo de Oliveira

5 comentários:

Anônimo disse...

Ah, então com certeza já nos esbarramos por aí no metrô. Eu sou morena de cabelo grande e cacheado que há umas três semanas, ao entrar no metrô estava com a minha filha de 4 anos no colo, e nesse empurra-empurra caí, e minha filha foi de cara no chão. Algumas pessoas me ajudaram, um rapaz até alertou um segurança na plataforma. O segurança ignorou a situação e o vagão do trem fechou batendo no braço da Gabrielle. Eu, Carla Silveira Santos, expresso aqui minha indignação, minha tristeza e espero um pouco mais de respeito com nós cidadãos!!

Anônimo disse...

Realmente essa é uma ótima explicação. Almoçar em casa, dar uma descansada depois do almoço não é uma realidade dos paulistanos, o que é uma falta TOTAL de qualidade de vida. Tenho certeza que eu não sou o único que já dormi várias vezes no trabalho para evitar todo esse aborrecimento.

Anônimo disse...

São Paulo já virou um verdadeiro inferno. Os estrangeiros que confundem Sampa como a capital do país, mal sabem o sofrimento que é viver numa cidade que não tem ar puro para respirar, que precisa sair com pelo menos 1 hora de antecedência pra chegar a um lugar bem próximo onde você está... É uma vergonha saber que é assim que o povo se sente e as autoridades permanecerem imóveis...

Anônimo disse...

SÃO PAULO CAMPEÃÃÃOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

E quando os palhaços resolvem entrar de greve? Aliás, o palhaço da história é a gente, que não tem nada a vê com o salário baixo, ou seja lá qual for o motivo dessas greves! Esse governo tem que tomar uma atitude!! O que não pode acontecer é ficar sem ônibus, usar esses ônibus acabados que quebram o tempo todo, porque o nosso serviço, a nossa vida continua! Cadê, alguém pra fazer alguma coisa?!?